Trump conseguirá ser pior que Dilma?

Se tem uma coisa que nem todo brasileiro percebe é que populismo não gera empregos nem renda. E olha que já tentamos com diversas figuras que nos envergonharam da nossa democracia. Já tivemos Getúlio Vargas em sua faceta “pai dos pobres”; Jânio Quadros com a sua vassourinha e proibição de lança-perfume; Collor o “caçador de marajás”, Geisel com “para combater a inflação precisamos aumentar a oferta” e Dilma, a “estocadora de ventos”. Isso para não citar o câmbio fixo do FHC no final do primeiro mandato e o discurso de luta de classes do Lula.

Pois não é que os americanos foram picados pelo mosquito do populismo! Quem diria! A terra de Lincoln, de Roosevelt, de Reagan e de Clinton, que sempre se beneficiou da mão de obra barata e qualificada imigrante, que desde o início do século passado apostou em seu potencial de inovação para competir com outras economias abertas, agora baseia sua estratégia de desenvolvimento no protecionismo ao mercado interno e no aumento das barreiras a imigrantes. Trump pode até cumprir o que prometeu em campanha, mas entregará um resultado oposto. Menciono aqui três medidas para elucidar meu raciocínio: a tarifação de 20% nos produtos mexicanos, o aumento das barreiras à entrada de imigrantes de 7 países muçulmanos e a construção do tal muro de US$15 bilhões com o México.

O eleitorado que mais deu suporte a Trump foram os americanos que perderam o emprego (ou renda) com as empresas americanas de setores decadentes ou com pouca competitividade perante concorrentes de outros países, como China e México. A solução proposta por Trump durante a corrida presidencial foi barrar a entrada de imigrantes para proteger os empregos dos americanos e tarifar produtos importados para proteger as empresas americanas.

Mas isso não é tão simples assim. O aumento das tarifas de importação encarece o custo de vida do trabalhador (inclusive do eleitor do Trump) e encarece os insumos de produção que as empresas americanas utilizam para produzir seus produtos. Já o bloqueio a trabalhadores estrangeiros aumenta o custo da mão-de-obra nos EUA, levando empresas a reduzir sua produção (o que encarece mais ainda os produtos) e até mesmo a fecharem suas portas. O resultado sobre o emprego e renda da população pode ser dúbio mas o resultado final não é: os americanos irão empobrecer.

Comecei o texto com um título provocativo que compara Trump à Dilma Roussef. É difícil prever se Trump irá provocar desastres econômicos da ordem dos provocados pelo governo Dilma. Mas uma coisa é certa: Trump estabelece um novo padrão de imoralidade. Porque as três políticas que mencionei acima não são apenas prejudiciais ao desenvolvimento dos EUA, são também imorais. O muro construído contra o México e as tarifas de importação na relação bilateral com esse país são um péssimo passo na diplomacia com um país importantíssimo no fortalecimento da posição americana frente ao crescimento das economias orientais. Pior ainda é o bloqueio a imigração de muçulmanos. Não é só é uma clara demonstração de intolerância e racismo, como é péssimo para os negócios no país. Trump não só barrou potenciais homens-bomba. Barrou também estudantes de doutorado, cientistas, artistas, homens de negócio que procuram mercados seguros para investir e diversos outros estrangeiros com green card que tem excelentes relações com os países.

Vamos aguardar para ver os próximos passos do governo Trump. No Brasil, o sistema judiciário tem sido recentemente o garantidor da normalidade institucional contra as barbáries do populismo. Vejamos se nos EUA se dará o mesmo.

renanpieri

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