Teremos que rever as metas do IDEB?

Parece ser um consenso no debate público que a educação brasileira é muito ruim. De fato, há muitas deficiências e se analisarmos qualquer parâmetro de interesse à luz do que desejamos como ideal para a educação do país, teremos conclusões desanimadoras.

Todavia, esse é um jeito ruim de analisar o desempenho de um sistema. Ainda mais o sistema educacional que trata de milhares de redes descentralizadas, extremamente complexas e desiguais. É ruim porque não é possível mudar o desempenho do sistema da noite para o dia. Mas precisamos ficar sempre atentos se estamos no caminho certo.

Sem mais delongas, vamos falar sobre o IDEB. O IDEB é um número de 0 a 10 sem um significado direto per se. Ele é interessante, entretanto, porque mescla informações sobre taxas de aprovação e proficiências na Prova Brasil e já se tornou conhecimento comum que é melhor ter um IDEB mais alto que baixo.

Na ausência de maior significado e interpretação, o INEP criou a partir da divulgação do IDEB de 2005, metas para cada unidade escolar em cada edição seguinte do IDEB. O intuito é que o país como um todo atinja em 2021 a média 6, considerada como nível médio dos países da OCDE. Para isso foi usado uma curva logística para a evolução das metas, e se você não lembra/sabe o formato (ou o que é) de uma logística, basicamente ela lembra a forma de uma letra “S”.

logistica_curva_01

                Exemplo de Função Logística

O problema das metas evoluírem conforme a figura acima é que no início você não precisa melhorar muito o seu desempenho para ter sucesso mas, conforme o tempo passa, taxas mais altas de evolução são necessárias. Um segundo problema é que as metas foram criadas a partir do desempenho das escolas na Prova Brasil de 2005, época em que muitas redes ainda não estavam familiarizadas com o exame ou simplesmente contaram com algum fator aleatório (=não previsto) para aquele ano. Como resultado, tivemos escolas que já na edição seguinte tiveram uma brusca mudança no IDEB, para cima ou para baixo, inviabilizando completamente as metas propostas.

Sendo por uma razão ou por outra o resultado é que começamos a não conseguir mais bater as metas. Na última edição do IDEB que foi divulgada (2013), isso já fica evidente. Para o IDEB do 5o ano ainda batemos a meta. Entretanto, para o IDEB do 9o ano como para do 3o Ensino Médio (calculado amostralmente), ficamos abaixo ou possivelmente estatisticamente empatados com a meta.

Embora tivemos sim uma redução do ritmo de crescimento do IDEB, notadamente para o Ensino Fundamental II das escolas municipais, temos um problema evidente para as próximas edições do IDEB. Metas realistas e condizentes com as possibilidades das redes são desejáveis para que as metas não se constituem somente em mais um capricho teórico. Uma atualização das metas com critérios mais realistas se faz necessário!

 

renanpieri

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