Crise fiscal e sucessão no INEP

Nessa semana, os jornais noticiaram a saída do professor Francisco Soares da presidência do INEP. Em pouco mais de dois anos no cargo, Chico deixa como legado as “Devolutivas” que passaram a ser uma poderosa ferramenta para os educadores utilizarem os resultados das avaliações educacionais com propósitos pedagógicos em sala de aula. Também deixa a estratégia de contextualizar os indicadores de proficiência como insumo para o entendimento e reflexão da sociedade acerca dos rumos da nossa educação.

Porém o vento não sopra a favor de especialistas acadêmicos em cargos de natureza política. Conforme também se observou com o ex-Ministro e professor Renato Janine, em um ambiente tumultuado de crise e necessidade de ajuste fiscal, o gestor público deve estar pronto para fazer as pontes políticas necessárias a fim de se viabilizar as reformas que atenuarão os impactos da crise sobre o órgão e seus servidores. E no caso de acadêmicos conceituados muitas vezes falta o capital político para queimar nesses momentos.

E o INEP exige atenção especial. O instituto pode ser considerado atualmente, juntamente do IBGE, como a instituição que mais produz e divulga estatísticas para o fomento do debate de políticas públicas. Além disso, conta com uma missão igualmente importante (e um tanto desvalorizada pelo poder público) de produzir estudos e pesquisas de excelência em educação. Mas tudo isso pode estar em xeque com as reformulações propostas do instituto e consequente esvaziamento de suas funções. Se a sociedade não ficar atenta ao processo, podemos observar um retrocesso para a pesquisa em educação e até para avaliação educacional.

Dessa forma, o debate sobre a sucessão do INEP ganha relevância. O próximo presidente deve conseguir ter poder de diálogo com o MEC, os movimentos sociais mas, sobretudo, com os servidores. O INEP é hoje uma das autarquias mais produtivas do governo federal, teve sua autonomia atacada diversas vezes nos últimos anos e só vai conseguir se fortalecer institucionalmente, com uma nova direção que una a toda a instituição e seus servidores. Até que os ventos se acalmem, seria importante uma diretoria de consenso.

renanpieri

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