O renascimento da Macroeconomia

Antes de ingressar na graduação em Economia, em 2005, achava que a maior parte do ensino em Economia se restringia ao que hoje sei que se denomina Macroeconomia: o estudo de como as famílias interagem entre si e seus efeitos agregados em fenômenos como inflação, taxa de câmbio, PIB etc. Com o decorrer do tempo fui percebendo que a Macroeconomia era apenas uma de algumas áreas de estudo a que se dedicam os economistas sem contar nas inúmeras aplicações que a teoria econômica tem sobre problemas do cotidiano.

Aprendi também que algumas dessas áreas me chamavam mais atenção e ganhavam mais espaço acadêmico. Na década passada, com a estagnação dos preços no Brasil e a volta de uma trajetória de crescimento impulsionada pelo bom cenário fiscal e pelo boom de commodities, temas como educação, desigualdade econômica, mercado de trabalho dentre vários outros tiveram um fluxo grande de teses e dissertações pelo país e uma imensidão de economistas (além de sociólogos e pedagogos) contratados para pesquisar temas relacionados ao assunto. Em meados da década passada, começou a se tornar cada vez menos frequente ver jornalistas pautando economistas sobre temas relacionados à Macroeconomia, pois os problemas pareciam ter sido resolvidos. Me lembro, inclusive, de um professor do doutorado que brincava dizendo que a Macroeconomia estava morta.

E assim vários de nós criamos agendas de pesquisa em Microdesenvolvimento, para discutir as questões que nomeei acima.

Pois bem. Os problemas que haviam morrido renasceram. Com a forte piora do cenário fiscal e o fim do boom do ciclo de commodities, a inflação voltou a casa dos dois dígitos e o PIB cai como nunca antes. Os macroeconomistas voltaram para TV e a opinião públicas clama por soluções mágicas. Os temas de longo prazo ficaram para depois e saíram da pauta.

Pessoalmente gosto de Macroeconomia e sei que é importante discutir esses temas tão urgentes. Mas lamento que teremos mais uma geração perdida, pela falta de desenvolvimento de bons e bem desenhados programas de política educacional e social.

renanpieri

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.