Dilma teima, mas praticamente acabaram as opções para a economia

O emprego na indústria recua pelo 4o ano consecutivo e a inflação acumulada de 12 meses permanece em dois dígitos. Enquanto isso, a aclamada recessão mundial provoca apenas uma desaceleração branda do crescimento nos demais países da América Latina (com a exceção devida da Venezuela) e os EUA já se recuperaram do tombo de 2008 há algum tempo.

Mas isso não parece ser razão para Dilma mudar os rumos da política econômica. Sim, me refiro a Dilma! Porque desde que demitiu Levy para substituí-lo por um dos criadores da chamada Nova Matriz Econômica (Nelson Barbosa), Dilma deixou claro de vez que quem toma as decisões em seu governo é ela própria. Não fosse assim, teria escolhido um ministro mais forte e menos subserviente para trazer novo ânimo ao mercado.

E o que pensa Dilma sobre a maior crise econômica que o país enfrenta em 25 anos (a prévia do PIB de 2015 fechou em -4%)? Ela pensa que demos o azar de cair em um natural ciclo de recessão combinado com uma indisposição dos empresários com o seu governo e a perseguição da Lava Jato com as empresas amigas do Planalto. Sendo assim, para sair da crise basta esperar o ciclo melhorar, combater politicamente a Lava Jato e continuar pondo dinheiro nas empresas amigas (já lançou MP para liberar crédito subsidiado nas empresas encrencadas na Lava Jato).

Com mais de um ano de mandato, em nenhum momento houve esforço por parte deste governo em fazer ajuste fiscal para combater a inflação. Afinal de contas, os gastos em 2015 aumentaram em relação a 2014 e continuarão a aumentar em 2016. Com o lado fiscal em ruínas, o Banco Central desistiu de aumentar os juros para conter a demanda e deixou a inflação (e o dólar) ao deus dará. No fundo, o Planalto acredita que se neutralizar os estragos políticos causados pela Lava Jato e por Eduardo Cunha, a estabilidade política voltará. Subestimam a insatisfação popular pela inócua liderança oposicionista desmontada em 13 anos de bem sucedida propaganda petista.

Se Dilma quisesse organizar a casa, teria que sinalizar para as empresas (e não só para as grandes, ok?) que eles podem investir no país que o governo manterá preços e regras estáveis. Mas  a presidente não está disposta a organizar o caixa para isso, e pior, ela não acredita que precisa organizar as finanças do governo. Não sei como essa história vai terminar, mas não há boas perspectivas para o barco da economia quando o capitão rema para o lado errado!

 

renanpieri

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