Belluzzo e seus diagnósticos errados!

Se eu entendi o Belluzzo (o que exige um esforço grande pela falta de rigor científico por trás dos argumentos) no Roda Viva, a crise atual foi causada pela destruição da indústria nacional iniciada pelo Collor e sacramentada pelo Gustavo Franco (FHC I), ambos os processos inspirados nesse tal de Consenso de Washington (que, diga-se de passagem não foi um consenso já que todo mundo critica).
Bem, é difícil refutar tamanha abobrinha. Mas vou só pincelar alguns pontos:
1) Nos últimos 20 anos, a indústria nacional decresceu em importância no PIB para praticamente todos os países do mundo, não importa se eles estão crescendo ou na pindaíba hoje. Logo, a queda da relevância da indústria revela mais uma transformação no modelo de produção atual mundial do que necessariamente uma crise;
2) Se fizessemos o exercício do Belluzzo e protegêssemos a indústria nacional, possivelmente não teríamos um aumento de produtividade (em breve, publico capítulo de livro sobre o assunto). Na verdade, a indústria já é bastante protegida e ela deixou de ser o único/principal setor concentrador de produtividade. Há muitos anos, o agrobusiness brasileiro tornou-se competitivo e estimula toda uma cadeia de tecnologia e conhecimento;
3) As mudanças estruturais da economia parecem em nada justificar o aumento expressivo dos gastos do governo observado nos últimos anos, esses sim geradores de toda essa instabilidade econômica e, por conseguinte, política (ou vice-versa). O aumento dos gastos públicos que não leva a aumentos de produtividade produz dívida, o que obriga o governo a imprimir dinheiro, o que gera inflação. A inabilidade do governo em ajustar as contas (=botar um freio nos gastos) aumenta a desconfiança do mercado sobre o futuro (=carga tributária e cenário macroeconômico), o que impacta negativamente os investimentos e o consumo. E aí a crise acontece.
Enfim, os economistas sempre irão divergir e isso não é um problema. Mas, não reconhecer a gravidade da gestão fiscal é de uma irresponsabilidade colossal com as gerações futuras. Embora Belluzzo não goste da ciência econômica, a história é implacável: o país já quebrou seguindo o receituário cepalino no governo Geisel e quebra de novo se não mudar de postura.

renanpieri

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