O IDEB da escola não melhorou. De quem é a culpa?

Desde que o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e o ENEM passaram a ser divulgados por escola, diretores, professores e funcionários das secretarias de educação se veem pressionados por resultados por alunos e seus familiares, o que reflete no cotidiano de trabalho, planejamento pedagógico (que em muitas escolas passou a se focar essencialmente nos indicadores), nas eleições para diretor (onde é o caso) e na remuneração dos professores nas redes que adotaram bônus por desempenho.

Acontece que muitos fatores podem influenciar o desempenho de uma escola em um indicador de desempenho dos alunos. Tomemos o IDEB do 9o ano como exemplo. Ele é construído a partir do desempenho dos alunos em matemática e português na Prova Brasil ponderado pela taxa de aprovação do 6o ao 9o ano. Influencia no resultado obtido por uma escola o nível socioeconômico dos alunos, a qualidade do material didático enviado pela secretaria, a infraestrutura (espaço físico, equipamentos) a que a escola está sujeita e, sobretudo, o trabalho coletivo acumulado ao longo da vida escolar de cada aluno.

Logo, se uma escola obtém um resultado negativo no IDEB, quem responsabilizar?

  • Os professores de português e matemática do 9o ano não faz sentido, pois a proficiência obtida naquele ano é resultado de toda vida escolar do aluno e não só do trabalho destes;
  • O(a) diretor(a) tão pouco, pois embora esse ocupe o papel de gestor último da escola, tem sua gestão amarrada por uma série de entraves burocráticos, tais como: não pode demitir/contratar funcionários que não se adequam à filosofia da escola; (via de regra) gere uma minúscula parte do orçamento, não sendo responsável pelos materiais didáticos e equipamentos essenciais para o bom funcionamento da pedagogia; tem a sua rotina abarrotada por tarefas  não relacionadas à pedagogia, mas sim para a garantia de funcionamento adequado da escola.

Sobram duas alternativas:

  1. Responsabilizar todo mundo (todos os professores e a direção), o que em um cenário de metas não-individualizadas é a mesma coisa de não responsabilizar ninguém;
  2. Responsabilizar a secretaria escolar, mas essa embora tenha a gestão dos recursos em mãos, muitas vezes não consegue acompanhar o dia a dia da escola.

Dessa forma, a responsabilização cai em cima de pessoas que geralmente não tem autonomia para resolver os problemas. Uma possível fonte de melhora é dar mais autonomia de gestão para os diretores e aí sim responsabilizá-los por um conjunto de resultados/metas que a escola venha a ter. Sem isso, resta apenas a boa e velha urna para cobrar o prefeito/governador na eleição seguinte. Mas aí pode ser tarde.

renanpieri

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.