Que ajuste? Agenda urgente

O país enfrenta um forte quadro de estagflação (=estagnação econômica + inflação alta). A economia não está só estagnada, ela está encolhendo. E se olharmos para algumas regiões específicas do país como São Paulo, onde a crise é mais aguda e mais antiga, caminhamos para um quadro de depressão econômica.

Neste post não vou discutir os imbróglios políticos e gerenciais que levaram à crise. Vamos falar sobre os remédios.

Se um país enfrenta uma economia desaquecida é comum o governo aumentar os gastos ou baixar os juros para ativar a demanda por bens e serviços e dar um empurrão na economia para encurtar o período de vacas magras. Já no caso de um país observar seus preços subindo, é de bom senso a autoridade monetária aumentar os juros e o governo retrair os gastos. Assim, a demanda e os negócios esfriam, os preços param de subir e o componente inflacionário se esvai.

Mas, e quando há estagnação econômica e inflação alta, o que fazer? Aí depende do que gerou isso.

No caso brasileiro é muito evidente que o forte desequilíbrio das contas públicas levou o governo a utilizar todo tipo de estratégia de financiamento (alguns, inclusive de duvidosa legalidade) , principalmente a má e velha impressão de dinheiro, que basicamente é a causa da inflação.

E tem um componente adicional: o rombo do orçamento federal é um dos pilares da instabilidade política (somado à Lava Jato), que inviabiliza investimentos privados de longo prazo, sobretudo em setores regulados, o que afunda ainda mais a geração de empregos e renda.

Portanto, o primeiro passo para sair da crise econômica é o governo federal organizar seu orçamento. Para fazer isso, pode cortar gastos ou aumentar impostos. Mas, para um país a beira da depressão econômica, aumentar impostos, sobretudo impostos em cascata e que geram distorções alocativas (como a CPMF) não é uma boa estratégia. O certo a se fazer é cortar gastos.

Aí entra a crise política. O governo tem algo de 10% do orçamento que não está vinculado (que poderia ser cortado). Nesse montante estão os gastos sociais e investimentos em saúde e educação. E ninguém quer cortar isso, certo? Muito menos um governo, que ainda tem um processo de impeachment na Câmara pela frente, tem interesse em brincar ainda mais com os ânimos populares. A alternativa é mexer nos gastos vinculados. E isso é uma tarefa e responsabilidade de toda a classe política! Precisamos também de uma Reforma da Previdência para já.

Mas o que o governo federal tem feito? Bem, na semana passada anunciou a liberação do FGTS para aumentar o crédito no mercado (o que deve pressionar a inflação para cima) e aumentou os gastos no ano passado, a despeito das milhões de críticas ao ajuste fiscal feito pelo Ministro Levy. Pergunto: que ajuste?

renanpieri

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